Do ceticismo ao misticismo científico: o itinerário de Aldous Huxley

Autores

  • Leandro Gaitán Autor Universidad de Navarra
  • Luis Echarte Autor Universidad de Navarra

Palavras-chave:

teologia, ciência e religião, ciência, tecnologia e sociedade. (Fonte, DeCS Bireme).

Resumo

Aldous Huxley viveu um período muito particular do século XX, um no qual o debate entre racionalistas e céticos marcou toda uma geração. Precisamente esse foi o grande tema em torno do qual girariam seus principais ensaios literários e filosóficos. É também nesse contexto onde há que delimitar o papel crucial que ele outorgou à biotecnologia no progresso individual e social. Contudo, Huxley avisa dos perigos que podem derivar-se da biotecnologia ao não conseguir conciliar a postura do mundo objetivo com a do mundo a vida.

O autor de Um mundo feliz propôs como remédio ao referido divórcio e como prevenção aos males que estavam por vir o devolver a unidade perdida às ciências e, em último termo, ao homem. Nessa tarefa, o fato religioso, longe de ficar excluído, é considerado um elemento sine qua non em todo projeto interdisciplinar e vital. É por isso que, para Huxley, todo o que aspira à unidade intelectual deve estar comprometido existencialmente. Como não podia ser de outra maneira, essa conclusão é fruto de sua extraordinária traje- tória vital: ao partir de uma posição cética, marcada pela crítica, à racionalidade científico-tecnológica e à religião. Huxley terminará se convertendo em um misticismo aberto e dialogante para com o discurso científico.

A atitude de Huxley a respeito da ciência não é nova, pelo menos se valorizarmos em alguma coisa a filosofia pré-moderna. Apesar disso, Huxley apresenta este ideal – o da Filosofia perene, como o denomina – com ares novos e acessíveis para a sociedade onde os signos do pessimismo e do desconcerto eram cada vez mais inquestionáveis. Enquanto hoje esses signos são visivelmente manifes- tos, refletir sobre a vida-pensamento de quem é um dos mais clarividentes, transgressores e obstinados intelectuais do século XX, acaba sendo um exercício fecundo, pelo menos para os que não renunciaram ao caminho interdisciplinar. Oferecer conteúdos para essa reflexão é o objetivo deste artigo.

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Biografia do Autor

Luis Echarte, Universidad de Navarra

Profesor contratado-doctor del Departamento de Humanidades Biomédicas de la Universidad de Navarra. Coordinador del subproyecto "Hábitos y Neuroética" en el Instituto Cultura y Sociedad. Miembro del grupo de investigación Ciencia, Razón y Fe (CRYF).

Publicado

2013-02-01

Como Citar

Gaitán, L., & Echarte, L. (2013). Do ceticismo ao misticismo científico: o itinerário de Aldous Huxley. Persona Y Bioética, 16(2), 108–129. Recuperado de https://personaybioetica.unisabana.edu.co/index.php/personaybioetica/article/view/2439

Edição

Seção

Artigos de pesquisa